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"E a mulher de Ló olhou para trás e ficou convertida numa estátua de sal. E Abraão levantou-se aquela mesma manhã, de madrugada, e foi para aquele lugar onde estivera diante da face do Senhor; E olhou para Sodoma e para toda a terra da campina; e viu, que a fumaça da terra subia, como a de uma fornalha." Gênesis 19:26-28

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 [CONTO] Estrada das Sombras

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Trevor

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MensagemAssunto: [CONTO] Estrada das Sombras   Dom 04 Set 2011, 11:04 pm

Mais um conto do Lua Sombria. Espero que gostem.


"As sombras podem nos conduzir por caminhos sem volta..."



Era tarde da noite. Vanessa já caminhava horas a fio por uma estrada cercada de árvores mortas e de sombras. Não estava certa de como tomara aquele caminho. A única e cruel certeza era que o vento frio cortava seu rosto e o sobretudo já não era mais capaz de proteger os ossos da dor congelante. O cansaço castigava impiedosamente, as pálpebras pesavam e suas pernas estavam prestes a ceder. A fome ácida corroia o estômago e ela não podia simplesmente comer o dinheiro que carregava na bolsa. Por fim, avistou uma casa no final do horizonte. Depois de reunir as forças e apertar os passos, ela conseguiu se aproximar, deparando-se com um bar. Não era exatamente o que esperava encontrar. O cenário era fúnebre, com pouca luz, poeira e teias de aranha, mas dada a situação aquilo era um paraíso. Atrás do balcão, permanecia sentado o velho e solitário Dorival. Seus olhos brilharam ao ver aquela visita inesperada.

— Boa noite Senhorita. Em que posso servi-la? — Perguntou Dorival ajustando seus óculos. Vanessa observou seu sorriso frágil, sua cartola fora de moda e uma palidez fora do normal. Parecia que um vento mais forte iria transformar o idoso em pó.

— Preciso comer alguma coisa, estou morrendo de fome!

— Sinto lhe informar que no momento estou sem estoque de alimento. Mas não se desanime, chegará comida aqui em breve. Enquanto isso, posso preparar uma bebida revigorante para ti. — Disse Dorival com um sorriso bizarro no rosto.

— Mas não vai demorar muito? Eu não estou aguentando mais!

— Paciência, querida. Em breve você se sentirá satisfeita. — Comentou o velho senhor virando as costas e indo para a cozinha.

Ela aguardava. Cada minuto era uma eternidade. A fome crescia de forma perturbadora e o monstro do cansaço havia drenando toda sua energia. Então um terrível formigamento abraçou o rosto de Vanessa como se a mão esquelética da morte estivesse apertando sua face. Sons de correntes se arrastando e vozes sussurrantes chegavam em seus ouvidos. A visão tornou-se embaçada e ela teve a  sensação de estar sendo arrastada para um abismo.

— Aqui está seu drink, Senhorita. Isso fará você se sentir melhor. — Falou Dorival trazendo Vanessa de volta à realidade.

A garota juntou suas últimas forças, e com as mão trêmulas levou o copo até a boca. A bebida era rubra, quente e viscosa. Aquilo passou a preencher todo o vazio que Vanessa sentia. Aos poucos, seus sentidos voltaram e ela sentiu um poder reerguendo suas forças.

— Hey, essa bebida é boa mesmo! Do que é feito?

— Segredo da casa. Pelo menos agora você está em condições de esperar o aperitivo chegar.

Vanessa sorriu. Provavelmente estaria moribunda pela estrada vazia se não tivesse encontrado aquele estranho bar. Mas a alegria de Vanessa se desfez ao sentir o cano gelado de uma arma encostar em sua nuca.

— Vocês perderam! Quero tudo que for de valor desse buteco! — Gritou um dos assaltantes que haviam  entrado silenciosamente no bar.

Vanessa levantou as mãos e o assaltante puxou o cabelo dela com força, fazendo seu couro cabeludo sangrar. Depois a arrastou para uma mesa. Enquanto isso, Dorival apenas olhava friamente para os homens enquanto eles agrediam Vanessa e saqueavam o estabelecimento. Estavam todos armados com escopeta, e uma delas estava apontada para Dorival.

— Vamos velho! Passe a grana do caixa logo!

— Nunca, seu verme! — Respondeu Dorival com truculência.

O assaltante não quis discutir, apenas puxou o gatilho. Um clarão estrondoso tomou conta do bar por uma fração de segundo. Vanessa pôde ver apenas os miolos de Dorival escorrendo pela parede e o rosto do assaltante coberto de sangue. Ele ria, se deliciava em ver o fim que deu ao pobre velho. As lágrimas desceram pelo rosto da garota. Com pavor, ela disse entre soluços para o homem que a segurava.

— Eu tenho dinheiro na minha bolsa! Pode levar! Mas por favor me deixem ir!

O homem a ergueu novamente pelo cabelo até a altura do seu rosto e sorriu maliciosamente.

— Escute garota, eu não quero seu dinheiro, você tem algo muito melhor para me dar! — Terminou a frase soltando uma gargalhada e em seguida deu um tapa no rosto dela que a fez voar e cair com o rosto no chão.

Os outros dois homens se divertiam com a cena. Vanessa por fim, se levantou rapidamente e começou a correr, esquivando-se dos assaltante de maneira impressionante. Mas poucos passos após cruzar a saída, ouviu mais um disparo que a fez voltar ao chão. Vanessa sentiu suas costas sendo rasgadas pelos fragmentos da munição. O ar parou de entrar em seus pulmões e uma poça de sangue se formava ao redor da garota. Ela olhou para a lua cheia que havia iluminado seu caminho naquela estrada maldita. Lembrou da sua casa, dos seus pais e dos amigos.

— Como você ainda está viva? — Disse o autor do disparo pisando na cabeça dela.

Subitamente, uma fúria se acendeu em Vanessa, como um fogo que passou a queimar e destruir toda a dor que sentia. Sons de estralos vinham de seus ossos e a garota começou a crescer ao passo que suas feridas desapareciam de forma sobrenatural. A fúria que Vanessa sentia começou a tomar forma e crescer como um câncer, ao ponto de rasgar a pele e fazê-la assumir uma forma monstruosa. Suas unhas cresceram e se transformaram em garras afiadas. A boca se projetou para frente e os dentes se tornaram longas presas. Pelos cresciam no corpo da garota que deu lugar à uma monstruosa forma lupina.

Os assaltantes ficaram paralisados, sem reação diante daquele espetáculo bizarro. Em um rápido movimento, Vanessa atingiu o ventre do assaltante com a garra. O infeliz não teve a chance de gritar antes que suas vísceras se espalhassem pelo chão. Os outros dois voltaram correndo para dentro do bar, tomados pelo pânico. Vanessa alcançou um deles em um único salto e devorou o braço do maldito com apenas uma bocada enquanto ele gritava desesperadamente. Ela o deixou sangrando no chão para que o último miserável não fugisse. Facilmente Vanessa o ergueu do chão, segurando-o pelo pescoço. O homem chorava implorando por piedade, mas logo as garras da lupina entraram na garganta do assaltante, forçando-o a abrir o maxilar até rasgar a boca. Em seguida ela chocou a o rosto do homem contra a parede, causando fraturas espostas em sua face, que agora era apenas uma massa disforme de carne, ossos e sangue.

Vanessa, ainda em sua forma monstruosa, sentia fome. Então ela devorou com prazer a carne dos três assaltantes. Após satisfazer sua fúria e sua fome, ela voltou à forma humana. Confusa, olhou para a carnificina que decorava o bar e cobriu-se com o seu sobretudo que estava jogado no chão. Perdida e sem saber o que fazer, olhou para o balcão e espantou-se ao ver Dorival de pé, com o rosto sujo de sangue, mas recuperado. Ele então disse sorrindo:

— Espero que tenha apreciado o aperitivo.

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